"Se vi mais longe foi por estar sobre os ombros de gigantes"
Isaac Newton
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Ministra da Educação, Família e Inclusão Social de Cabo Verde

 


 

Maritza Rosabal, PhD


 

 

 

 

Nas sociedades modernas, a geração de conhecimentos científicos constitui um importante factor de desenvolvimento económico e social sustentável. Os avanços nestas matérias, bem como a sua ampla difusão e apropriação, contribuem para a melhoria da educação, da saúde e do ambiente e, de um modo geral, para a melhoria da qualidade de vida e o bem-estar social das populações.

Em Cabo Verde, o Ministério da Educação tem por missão promover e apoiar o processo de consolidação do Ensino, tornando-o mais inclusivo e de maior qualidade, bem como fomentar o avanço da investigação científica, tecnológica e da inovação.

Nos últimos dez anos, Cabo Verde desenvolveu um sistema de ensino superior que evoluiu muito rapidamente em termos de oferta formativa. No entanto, e apesar do crescimento que também se verifica no número de Mestres e Doutores já alcançado, existe ainda uma grande lacuna nesta matéria.

Isto é particularmente verdade em áreas de interesse estratégico para Cabo Verde nas quais existe um grande potencial de desenvolvimento económico e social, como é o caso da área da Saúde e das Ciências da Vida, designadamente ligadas à Biomedicina, Pescas e Agricultura.

Constata-se, por conseguinte, a necessidade urgente de formação de recursos humanos a este nível e é fundamental capacitar as universidades nestes domínios e criar as condições para que os seus docentes se interessem por uma carreira científica baseada nas Ciências da Vida.

Por estas razões, é com grande satisfação que o MESCI se associa ao IGC nesta iniciativa que procura oferecer educação avançada de excelência aos mais promissores alunos não só de Cabo Verde mas de toda a chamada África lusófona e de Timor-Leste.

Através dos nossos esforços conjuntos o PGCD contribuirá, num primeiro momento, para reduzir a lacuna que existe entre os PALOP e Timor-Leste e os países desenvolvidos e, a termo, para a criação e consolidação de uma cultura de investigação e inovação nas áreas já mencionadas nos países africanos de expressão portuguesa e em Timor-Leste.

 

 

Director do Instituto Gulbenkian de Ciência, Portugal

 


 

   Jonathan Howard, PhD  

 

 

 

O Instituto Gulbenkian de Ciência orgulha-se de apoiar o PGCD – Programa de Pós-Graduação Ciência para o Desenvolvimento. A busca pelo conhecimento científico é o maior empreendimento comum da Humanidade e este é o momento certo para criar em África condições para que possa dar o seu contributo.

É nossa convicção que o PGCD, concebido à imagem do primeiro programa de pós-graduação do IGC, irá ter um papel preponderante no desenvolvimento científico de África, primeiro através dos países africanos de língua oficial portuguesa, e no futuro  alargando os seus benefícios a todo continente africano, à medida que barreira linguística for sendo eliminada e a língua franca da ciência se imponha.

Os cientistas do IGC irão fazer parte do corpo docente internacional do PGCD e o Instituto também acolherá com muita satisfação os estudantes do programa nos seus laboratórios.

Acreditamos que, neste momento, África necessita acima de tudo de meios e oportunidades que lhe permitam desenvolver programas de formação de excelência, em particular na área da ciência e tecnologia. Esperamos que os nossos esforços conjuntos comecem a tornar este desejo numa realidade.

 

Presidente da Fundação para a Ciência e Tecnologia, Portugal

 

 

 

Maria Arménia Carrondo, PhD

 

 

 

 

 

 

A ciência e a tecnologia não respeitam fronteiras geográficas e culturais, os seus efeitos têm uma dimensão global, contribuindo para o bem-estar económico e social dos cidadãos e da sociedade no seu todo. Em qualquer parte do mundo, uma ciência de qualidade requer investigadores criativos, motivados e bem treinados. Uma vez que a formação de cientistas de excelência e o fomento à cooperação com países terceiros, incluindo aqueles onde a investigação científica ainda é incipiente, são dois dos objectivos da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), a agência portuguesa de financiamento público para a investigação científica, a FCT identifica-se com os propósitos do Programa de Pós-Graduação para a Ciência e Desenvolvimento (PGCD) e por esta razão, orgulha-se de apoiar este programa.

Através da concessão de bolsas de doutoramento e da promoção de colaborações com a comunidade científica nacional, a FCT espera contribuir para a formação de uma nova geração de cientistas de excelência nos Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa e em Timor Leste. Através da experiência internacional que será proporcionada pelo PGCD, os investigadores irão com certeza contribuir para a melhoria da qualidade da educação e investigação científicas nos seus países.

A FCT acredita que o PGCD irá inspirar toda uma nova geração de cientistas e professores, que poderão, através da tecnologia e da investigação científica, contribuir para um desenvolvimento duradouro e sustentável dos seus países.

 

Presidente da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior, Brasil

 

Presidente do Conselho Consultivo do PGCD

 

 

 

António Coutinho, PhD 

 

 

 

 

 

 

 

Aqueles que não são nacionalistas, reconhecem as responsabilidades históricas dos seus Estados, mas não as adoptam como suas.

Embora Portugal, e outros países europeus, tenham grandes responsabilidades em África (e noutras partes do mundo), esta não foi a razão que esteve por detrás da criação de um Programa de Doutoramento para o Desenvolvimento nos países africanos de língua portuguesa.

Pelo contrário, isto deve-se principalmente a razões de ordem prática: a maioria dos estudantes só fala português, pelo que é conveniente, ou até estritamente necessário, que seus passos iniciais na formação avançada – palestras, seminários e discussões, que devem inspirá-los e motivá-los para seguirem uma carreira científica, sejam proferidos em português. Para além disso, tanto o Brasil como Portugal contam actualmente com comunidades científicas fortes e dinâmicas e muitos jovens cientistas de reconhecido mérito fizeram os seus doutoramentos em moldes muito semelhantes ao agora proposto para os Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa (PALOP) e Timor Leste. Em suma, eles tiveram o privilégio de fazer parte desses programas e é compreensível que agora pretendam fazer o mesmo pelos outros. É aqui que o sentido de responsabilidade pode e deve ser reconhecido.

A ciência – a tentativa de explicar o mundo e nós mesmos, através de leis naturais e racionais, só pode acontecer em Democracia, e não foi por acaso que estas surgiram juntas na História. E, pelo menos nos tempos modernos, a ciência é também um pilar fundamental da vida pública democrática, uma vez que contribui para a resolução de todos os problemas, incluindo os que não são solucionáveis através da utilização de armas, política, religião, adivinhação ou dissertações filosóficas. Além disso, a ciência é a raiz de toda a tecnologia moderna, que, por sua vez, é o motor de todo o desenvolvimento económico e social, e isso também é uma condição básica para uma plena vida democrática. Tendo resolvido as suas necessidades mais urgentes, as sociedades ricas estão, frequentemente, preocupadas com a justiça social, a transparência e os direitos humanos.

Não é fácil ter a oportunidade de aprender com professores de grande mérito e de trabalhar em laboratórios, departamentos ou instituições de excelência. E isto é ainda mais difícil para estudantes de países com pouca tradição científica, independentemente das suas capacidades, ou do nível de motivação, certamente único, e do olhar fresco que podem trazer aos problemas científicos actuais.  O PGCD pretende resolver algumas dessas barreiras, procurando através da educação e da promoção das carreiras científicas de uma nova geração de cientistas africanos e timorenses, o papel que Sócrates reivindicou para as ideias: ser a parteira, o intermediário, o facilitador. Todas as decisões fundamentais sobre escolhas temáticas, áreas de interesse, projectos de investigação, carreiras futuras, etc, devem ser deixadas para os próprios alunos, o Programa desviar-se-ia do seu objectivo, se caísse na armadilha do paternalismo. Estamos aqui para mostrar um caminho, não para o caminhar pelos alunos.